As mãos 

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

                                           Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

50 anos depois da 1º edição, os poemas de  O canto e as armas, de Manuel Alegre, ainda não pararam de nos interpelar, de nos confrontar connosco e com o mundo, de nos proporcionar prazer estético,  qualidades reservadas às verdadeiras obras de arte. Destas e de outras questões falaremos no dia 2 de junho, a partir das  16h 25,  a propósito deste livro. 

Como vem sendo hábito, todas as pessoas (a título individual) são bem-vindas no piso -1 da Biblioteca. 

Livro do mes de Maio 640